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Maior escolaridade reduz mortalidade das empresas

31/05/2013 14:00 - TAGS: , ,

O empreendedor brasileiro está mais escolarizado, o que está contribuindo para o aumento da longevidade das empresas.

De 2001 a 2011, a fatia dos donos de negócio que haviam cursado o ensino médio completo (pelo menos 8 anos de estudo) saltou de 38% para 53%. Já a fatia dos que cursaram até o ensino fundamental completo (0 a 7 anos de estudo) caiu de 62% para 47%, de acordo com levantamento do Sebrae feito com base em números do IBGE.

Para o Sebrae, esse aumento de escolaridade tem relação direta com o aumento da expectativa de vida das empresas. Em 2001, de acordo com a entidade, 51% das empresas conseguiram comemorar o segundo ano de existência. Em 2011, essa parcela passou para 73%.

“O jovem está empreendendo mais cedo e tem mais escolaridade do que o velho empresário do passado, que empreendia por necessidade”, diz o presidente do Sebrae nacional, Luiz Barretto.

Se há uma década de cada dez empresas abertas, cinco eram movidas por necessidade, hoje são apenas três. As outras sete nascem por oportunidades de mercado.

“O mercado consumidor cresceu com a ascensão da classe média, com o aumento da renda e do emprego, ampliando as oportunidades para o empreendedor”, afirma Barretto.

Mas há uma outra razão que ajuda a explicar a maior longevidade das empresas, além da maior escolaridade do empresário e do aumento da renda do consumidor: o Super Simples.

Implementado há seis anos, o Super Simples tem 7,4 milhões de inscritos. “A lei é muito boa, reduziu a carga tributária em torno de 40% e diminuiu a burocracia. Na mesma linha, o MEI (microempreendedor individual) já formalizou 3 milhões de donos de negócios com faturamento de até R$ 5.000.

“Quem tem mais escolaridade tem mais capacidade de planejar”, diz Barretto. “E quando você associa oportunidade –economia em crescimento e menos burocracia– com escolaridade, a chance de a empresa sobreviver é maior.”

O aumento da escolaridade entre donos de negócio acompanhou um movimento que se deu na população em geral. No entanto, proporcionalmente, os donos de negócio tendem a ser mais instruídos que a média geral.

Entre os donos de negócio, 22,4% tinha o fundamental incompleto em 2011 (ante 31,6% uma década antes).Na população com dez anos ou mais, 50,2% não tinha completado o fundamental em 2010, ante 65,1% em 2000.

E, enquanto o percentual de brasileiros com ensino superior completo subiu de 4,4% para 7,9%, entre os empresários essa fatia aumentou de 7,4% para 10,2%.

Hábito de ler se transforma em franquia

Foi por meio da leitura que o empresário de Blumenau (SC) João Henrique Cristofolini, 22, descobriu a vontade de abrir um negócio próprio.

Desde os 13 anos, tinha o hábito de ler biografias de empreendedores de sucesso e livros sobre negócios. Na época, o que mais o marcou foi “Pai Rico, Pai Pobre”.

“Eram coisas que eu não aprendia na escola nem com a família, mas sempre tive vontade de entender, conhecer histórias de empresários, saber fazer investimentos.”

Aos 14 anos começou a trabalhar na empresa da família, como recepcionista. Ao sair, aos 18 anos, já havia passado pelas áreas de vendas e treinamento.

Passou a investir seu salário, que diz ser simbólico, tanto em renda fixa como em fundos de investimento em ações. A intenção era somente aprender melhor sobre o que lia nos livros, diz.

MAIS LEITURA

Dessas experiências, chegou a uma conclusão: “A maior parte das pessoas não aprende sobre educação financeira nem na escola nem fora dela. Um dos principais motivos disso é por que elas não gostam de ler”.

Daí surgiu o conceito da Mais Educa, microfranquia que oferece cursos on-line baseados em best-sellers de negócios e planejamento financeiro. Entre os livros que viraram cursos, estão “Casais Inteligentes Enriquecem Juntos” e “Dinheiro: os segredos de quem tem”, escritos por Gustavo Cerbasi.

As aulas podem ser oferecidas de forma presencial ou on-line. Os cursos têm duração média de 12 horas e custam cerca de R$ 300.

Cristofolini diz que parte da adaptação dos livros para o formato de curso é feita internamente, com profissionais trazidos de outras franquias de educação –como Wizard e Kumon.

FRANQUIA

Após o lançamento da Mais Educa, em julho de 2012, Cristofolini sentiu que a empresa precisava de dedicação exclusiva. Decidiu parar a graduação que fazia em marketing.

Atualmente a Mais Educa está com 30 franqueados, responsáveis pela comercialização dos cursos, além de alguns também ministrarem aulas. O objetivo é chegar a 100 até o final do ano.

A taxa de franquia da Mais Educa é de R$ 15 mil, e o franqueado tem a possibilidade de trabalhar a partir de casa.

O franqueado não recebe diretamente da pessoa que compra o curso (as inscrições são feitas pela internet), e sim da própria empresa, que repassa um percentual sobre as vendas na área de atuação do franqueado.

 

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