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30/08/2012 09:00 - TAGS: ,

Escritório coletivo é opção barata de espaço para desenvolver um projeto pessoal ou negócio nascente – e ajuda na formação do networking

Um escritório próximo da Avenida Paulista ou no centro do Rio de Janeiro, com linha telefônica fixa e internet rápida, por preços que variam de R$ 600 a R$ 800 mensais. Os valores de locação oferecidos pelos escritórios compartilhados – espaços com várias mesas de trabalho, divididas por empreendedores de diferentes segmentos – são atrativos. Mas há um benefício extra atrelado ao modelo: o auxílio na construção do networking de uma empresa nascente.

Entre os principais clientes do Nitis Office, aberto no Rio no fim de 2011, estão três tipos de profissionais liberais que trabalham por conta própria: designers, advogados e programadores. Segundo Lucas de Castro Rezende, sócio do empreendimento, o espaço compartilhado, que abriga até 20 profissionais, já gerou “permutas” de negócios. Se o advogado precisa de um site, combina com o designer. Se o programador precisa de conselho jurídico, é só falar com o advogado da mesa ao lado.

Rezende conheceu o conceito de escritório coletivo – chamado no exterior de “coworking” – ao desenvolver um projeto na China. “A ideia é simples: oferecer um espaço barato para quem está começando”, explica. O Nitis funciona das 9 horas às 19 horas, no centro do Rio, e fornece telefone fixo, internet rápida e material de escritório aos clientes. O plano pode ser mensal, em que o empreendedor ou profissional pode usar o escritório sem limites por R$ 595, ou definido por horas. Quem paga R$ 90 pode, ao longo de 30 dias, usar o espaço por 24 horas.

Diferença

O escritório Hub, já presente em São Paulo, Curitiba e Belo Horizonte, leva o conceito de coworking além: busca atrair empreendedores cujos negócios tenham a intenção de fazer algum tipo de diferença na sociedade. Entre as companhias que compartilham espaços na unidade paulistana estão uma agência de notícias comprometida a divulgar apenas informações positivas e uma empresa de entregas que trocou as motos pelas bicicletas, comprometendo-se com a rapidez sem emitir gás carbônico na atmosfera.

A rede internacional, iniciada em Londres, deverá inaugurar uma segunda filial em São Paulo em abril, na Vila Madalena – que, a exemplo da unidade pioneira, localizada na rua Bela Cintra, terá escritórios e também espaços para eventos corporativos. A Natura está entre as empresas de maior porte que usam os serviços do Hub com frequência, de acordo com o sócio da rede em São Paulo, Henrique Bussacos. Na capital paulista, o plano ilimitado de escritórios custa R$ 800, mas há opções a partir de R$ 60 (cinco horas por mês).

Como o Hub prioriza um certo perfil de empreendimento, explica Bussacos, é possível que algumas ideias recebam “bolsas” de desconto no aluguel mensal. É o que ocorre atualmente com a Carbono Zero Courier, negócio em que os entregadores usam bicicletas, idealizado pelos irmãos Rafael e Danilo Mambretti. Os empreendedores, que precisam usar o escritório todos os dias, dizem que o subsídio foi importante na fase inicial de operação (o negócio foi aberto em novembro de 2010).

Um ano e três meses depois, conta Rafael, a Carbono Zero já atingiu o ponto de “break even” – ou seja, a receita é suficiente para pagar todas as contas. Ao todo, são 20 “bikers” trabalhando para a empresa, entre contratados e free lancers. A maior parte dos funcionários fixos trabalha diretamente nos clientes corporativos, enquanto os demais se concentram nos pedidos que chegam por telefone ao escritório compartilhado. Por enquanto, são os próprios donos que atendem as ligações dos clientes quem querem contratar o serviço.

Agora, o objetivo dos irmãos é começar a juntar dinheiro para pagar as dívidas que contraíram com os amigos que decidiram apostar na Carbono Zero. Danilo e Rafael definiram um prazo de cinco anos para devolver os R$ 50 mil que levantaram. “Nosso projeto é pagar tudo em cinco anos, com retorno superior ao pago por fundos de ações.”

 

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