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Como adaptar a carreira à vida pessoal

31/08/2012 16:00 - TAGS: ,

Profissionais fazem empresas rever métodos para atrair e reter talentos – dar espaço para desenvolvimento de projetos passa a ser fundamental

Foi-se o tempo em que benefícios e um plano de pensão eram suficientes para manter um talento satisfeito dentro de uma empresa. Este tipo de vantagem, antes muito valorizada, já virou commodity: as grandes empresas oferecem basciamente os mesmos pacotes, com pequenas alterações. Os profissionais de hoje – principalmente os com idade até 35 anos – pensam além: são capazes de trocar benefícios “clássicos” pelo equilíbrio entre vida profissional e projetos profissionais.

As evidências de que a nova geração de talentos procura outro tipo de balanço na relação com o empregador estão em toda parte. Empresas como o Google, por exemplo, oferecem horário flexível e até uma verba para a personalização da mesa de trabalho. Já a Natura busca a valorização do bem-estar dos funcionários como proposta de valor, enquanto a Ambev trabalha em um esquema em que o cumprimento de metas está associadoa programas de recompensa financeira bem definidos.

Para Rob Brouwer, vice-presidente executivo da empresa de recrutamento Monster, o segredo está em um “marketing de talentos” bem definido. “A companhia precisa ter um discurso afinado. Dizer exatamente o que oferece para atrair a pessoa que está buscando aquele conjunto de valores”, resume.

Dentro deste raciocínio, o holandês Brouwer, que tem larga experiência em mercados europeus, diz que algumas práticas comuns no mercado brasileiro já ficaram obsoletas. Uma delas é a divulgação de vagas que não trazem o nome da empresa nem o salário proposto. “É um erro do ponto de vista do marketing corporativo. Este tipo de processo certamente vai atrair muita gente que não está alinhada com a cultura da companhia”, explica o executivo. “É uma estratégia que só se justifica para cargos estratégicos em que o atual ocupante da vaga ainda não foi avisado de que será substituído.”

Reviravolta. Outra questão que as empresas precisam levar em consideração, segundo Brouwer, é que as empresas trabalham com um banco de talentos bastante heterogêneo. Ainda há os chamados “baby boomers”, já perto da idade da aposentadoria, trabalhando lado a lado com as gerações X e Y. Quanto mais jovem o profissional, mais difícil será fidelizá-lo somente com benefícios econômicos. “Muita gente vê a carreira do pai como o exemplo que não deve ser seguido”, explica o especialista. “Fazer carreira por 30 anos em um só local está fora de questão.”

“Jogar tudo para o alto” não é um conceito inimaginável aos profisisonais que buscam um real equilíbrio entre vida pessoal e realizações profissionais. Ex-analista de risco em bancos de investimento, José Renato Carollo, resolveu tirar um sabático de dois anos em 2008. O objetivo: realizar uma viagem de motocicleta pela América Latina. “Vinha adiando este projeto havia cinco
anos, e simplesmente resolvi investir meu tempo nisso”, lembra Carollo.

Na volta, o ex-executivo, que teve passagens pelo ING e pelo ABN Amro Bank, decidiu continuar a reviravolta na vida pessoal. Decidiu mudar de área e investir na abertura de uma empresa de participações. Desde o ano passado, juntou-se a dois sócios e busca interessados para montar um fundo de R$ 100 milhões para investimento em empresas que precisam de capital para financiar o próprio crescimento. A principal vantagem da estratégia: poder fazer os próprios horários, sem a pressão e as amarras associadas a grandes corporações. “Nunca fui muito bom em seguir à estrutura corporativa, a cumprir um horário padrão. Sou uma espécie de geração Y que nasceu com 15 anos de atraso”, diz Carollo, de 46 anos.

Internet. O ex-executivo de banco de investimento também decidiu exercer sua veia “artística” ao se unir a amigos para criar um programa de debates e entrevistas na internet, o Cueca Apertada. “Sempre fui fã do (colunista) Paulo Francis. Minha diversão de domingo era ler o jornal e ver as polêmicas criadas por ele. Decidi fazer algo na mesma linha”, diz. “Já fizemos mais de 60 programas e temos 2 mil seguidores no Facebook.”

Toda essa ousadia, claro, precisa de financiamento. Carollo admite que o sabático e a posterior mudança profissional foi financiada com o dinheiro poupado anteriormente. “Eu tive a sorte de procurar fazer o que eu gosto e combinar com o que me dá dinheiro com o que eu realmente gosto de fazer.”

 

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